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quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Pauseada"

Depois das emoções dos últimos acontecimentos, o blog volta à sua vidinha normal, mas não sem antes prestar homenagem ao nosso querido Carlos Drummond de Andrade, que uma vez disse: "A vida necessita de pausas."
(...)
"Pauseada" que estou, vim buscar novas emoções e - como diz o Dé, inspiração - nas indescritíveis e apaixonantes paisagens da Alemanha, Áustria, Suíça.
Tão perto das minhas raízes, vim florescer em outras terras o amor que perfuma minha vida faz tempo.
Vim descobrir castelos medievais, montanhas de neve, sinos que tocam música ao anunciar as horas.
Hora de cobrir de sentido cada segundo vivido, cada chão que se tem pela frente. Seja na labuta de cada dia, nas quebras de rotina mais mágicas ou no simples descanso na beira do lago, apreciando o movimento dos cisnes ao som de Bach, a vida foi feita para ser vivida.
Faço da poesia de Drummond minhas palavras.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Emoções não tiram férias

Cenário: uma sanduicheria no litoral capixaba no primeiro dia do ano.
Personagens: pai, mãe e uma filha de aproximadamente cinco anos.
Drama: filha chorando, mãe quase chorando, pai calado.
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Em uma mesa um pouco atrás, entre ketchups, batatas palha e risos de família, fui tendo a minha atenção desviada para aquela cena. Do jeito que a criança chorava e do jeito que a mãe ia ficando comovida, ao mesmo tempo em que tentava conversar com ela e enxugar suas lágrimas, fiquei pensando no que poderia ter acontecido. "Deve ter morrido um avô", pensei. Só mesmo uma dor desse tamanho para fazer mãe e filha chorarem no primeiro dia do ano, em plenas férias, numa sanduicheria na beira da praia.
Engano meu. Parei o sanduíche no meio da mordida quando vi, com a ajuda do meu sobrinho Matheus, o que na verdade estava acontecendo. A mãe estava brigando com o pai na frente da filha, carregando com raiva e tristeza cada palavra:
"- Não, eu não disse pra ela que você não presta. Mas como é que eu vou confiar em você? Como é que eu vou confiar em você, me fala?"
Como um CD arranhado, a mulher repetia essa frase a cada cinco minutos, buscando na filha um escudo, um álibi, uma salvação.
A vontade que eu tive foi colocar a menina no colo e trocar o sanduíche por um sorvete. Três bolas, de preferência, que é pra distrair bastante e esfriar aquela cabecinha tão pequena e já cheia de problemas que ela não pediu pra viver.
Criança não deve se meter em assunto de adulto, tá certo. E assunto de adulto se resolve (ou pelo menos deveria se resolver) assim: no privado, entre quatro paredes, limitado à compreensão (ou incompreensão, dependendo do caso) de quem já é bem crescidinho.
Fico imaginando como é que desceu aquele sanduíche, depois de tanta mágoa entalada.
Fico pensando nos registros emocionais dessa menina ao testemunhar e participar de um momento tão pouco nutritivo e saudável.
Volto ao meu cheeseburger, ao meu "problema" de não deixar escapar o milho com o alface e as batata palha.
Lembro, enfim, que estou de férias.