Mostrando postagens com marcador perolices. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador perolices. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Farofa, monstros e rock'roll


Experimente desligar a TV, tirar a gravata, vestir uma fantasia de princesa, levar a sério uma criança. Pronto. Sua "adulteza" já virou infância.
De perolice em perolice o mundo vai ficando mais redondo, colorido, mais cheio de graça e encanto.

- Mamãe, por que que dicionário chama dicionário? Devia se chamar livro da sabedoria.
...............................................................
- Mãe, eu já falei que não gosto de pimentão.
- Ô, filha, pimentão é tão gostoso. E olha só como faz a farofa ficar mais bonita.
- Eu adoro farofa, mas sem pimentão.
- Tadinho do pimentão, Bella. Ele vai ver todo mundo ir pra festa da barriga - o arroz, o feijão, a carne, o tomate... Só ele vai ficar de fora?
- Tadinho nada, mãe. Pimentão não é gente!...
................................................................
- Mãe, sabia que tem uma lenda sobre as mães que ficam muito bravas? Elas viram monstro.
- É mesmo, Bella? Onde você aprendeu essa lenda?
- Na escola, ué.
- Você acha que eu sou muito brava, filha?
- Não... E é melhor você não ficar, viu?
..................................................................
- Bella, o telefone tá tocando!
- Ah, pai, tô com preguiça de atender...
- Deve ser o seu avô. Eu, se tivesse um avô ia atender. Mas o meu tá lá no céu, e lá não tem telefone não...
- Tem sim!
- Tem?!
- Tem, a gente liga pelo coração!
..................................................................
- Mãe, às vezes eu não consigo parar de pensar! Minha cabeça parece uma banda de rock. (!)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Filosofia infantil

E depois de muito filosofar sobre Deus, minha Bella vai crescendo cheia de "comos" e "por quês", ora perguntando, ora afirmando, atenta aos mínimos detalhes do que acontece no mundo.
- Mamãe, como é que faz canudo?
- Por que que o copo é redondo?
- Por que que o carro bate?
- Como é que o cabelo cresce?
- Se o papai não voltar de viagem hoje, acho bom eu dormir com você pra te fazer companhia...
- Melhor desenhar a menininha sem nariz mesmo. Se não vai ficar parecendo que ela tem um terceiro olho.
- Quero ir pra Itaipava com a vovó!
- Amanhã é depois de hoje?
- Os meninos são tão complicados!...
- Ah, vou dormir. Cansei de pensar! (...)

Há uma semana, do nada, anunciou no almoço que queria cortar o cabelo. Chanelzinho.
Sem pestanejar peguei o telefone e marquei o salão para os próximos trinta minutos. Antes que ela desistisse.
(Há um mês tentava convencer a pequena e nada. Personalidade forte, não abria mão do cabelo grande de jeito nenhum.)
Curiosa, tive que perguntar:
- Ué, Bella, o que deu em você?
- É que eu tava andando lá no pátio da escola, e vi a minha sombra. De cabelo curto. Achei tão bonito, mamãe, que tive inveja de mim. (...)

sábado, 26 de maio de 2012

Detalhes tão pequenos

Domingo é dia de faxina lá em casa.
Tesourinha de unha, cotonete Johnson, mãe judia a postos no sofá esperando quem vem primeiro.
- Lé-eeeeo!...Be-llaaaa!...
A pequerrucha chega primeiro, estende as mãozinhas como se estivesse no salão de beleza e ainda pede esmalte. O pequerrucho demora, enrola, foge, reclama e acaba no sofá, inconformado.
Meu trabalho é minucioso: além de cortar as unhas tenho que tirar o excesso de massinha, argila, sujeira. Ok. Como diz um famoso slogan de sabão em pó, "se sujar faz bem."
Depois de um desses "longos" rituais, louco para correr do sofá e continuar a brincar de lego, o Léo me solta essa:
- Mãe, por que as mulheres são tão "detalizadas"?
(...)
Ah, meu filho, nem te conto.
Um dia ainda você vai acessar (se é que já não começou a fazer isso) a alma das mulheres e esse "default detalhizado" que faz de nós seres incrivelmente singulares. Detalhistas na corujice, no perfume, no pano de prato. No retrato, na rotina, no trato. Na alegria, na taça de vinho, no desabafo. No batom, no chocolate, nas rugas que desenham anos de trabalho ou minutos de intensa felicidade. Irritantemente detalhistas na TPM, no chilique, no vestido: vermelho exuberante ou pretinho indefectível? Deliciosamente detalhistas no supermercado, no café com as amigas, no penteado da filha: meio-rabo ou maria-chiquinha? Essencialmente mulheres nesse nosso jeito de amar e se apaixonar pela vida, nos mííííííínimos detalhes. "Detalizadamente".

domingo, 9 de outubro de 2011

Pânico

Sexta-feira levei um susto danado, desses que inundam o organismo de adrenalina e alteram a pressão arterial.
Estava fechando o consultório quando recebi uma ligação da Patrícia, minha ajudante, em pânico:
- O Léo estava tomando banho e o box caiu em cima dele! Voou caco de vidro pra todo lado e ele teve vários cortes, mas parece que não foi nada grave.
Sua mãe e seu pai saíram daqui agora, foram levar ele pro hospital.

[Ai. Respira fundo, reza e aperta o passo.]
(...)
Graças a Deus tudo não passou de alguns cortes superficiais, o pior mesmo foi o susto e o tanto que o pequeno berrou.
Tinha caco de vidro até dentro da orelha, mas nem ponto precisou dar.
Nada como vô e vó sempre por perto, de prontidão, e um anjo da guarda que não arrasta pé nem um segundo, sempre em vigília e proteção.
Nada como carinho de pai e mãe pra passar o susto e aliviar a dor.
Curativos feitos e muitos decibéis de choro por causa do iodo ardido, fomos comer uma pizza pra relaxar.
A essa altura o Léo já estava com a carinha ótima, saboreando a sua pizza preferida e recontando a história algumas dezenas de vezes.
Eu ainda estava perplexa:
- Meu Deus, nunca ouvi contar um caso desses. O blindex estourar desse jeito, que loucura...
E aí é que ele me veio com mais uma das suas:
- Tá vendo, mãe? Por isso é que eu não gosto de tomar banho!
(!...)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Perolices fecundas

Ontem o almoço lá em casa foi a maior "Disneylândia": frango a passarinho crocante, purê de abóbora moranga, saladinha de mil folhas.
À noite, a Bella me pediu para contar uma história e a escolhida foi "A leiteira".
Muito curiosa e conversadeira, a pequena me interrompia a cada palavra lida para perguntar
"que que é isso?", "por que aquilo?"
Em determinado momento da história, "A leiteira" foi ao mercado para comprar uma galinha poedeira, e a ilustração mostrava justamente
os ovos sendo quebrados pelos pintinhos.
Foi quando apontei pra galinha e disse a ela:
- Olha, filha, igual o frango que a gente comeu na hora do almoço.
Qual não foi o seu espanto, desgosto, perplexidade. Parecia o fim do mundo:
- O quê, mãe?!?!? A gente comeu frango?!?!?!
(...)
Coitado!...

................................................................................

E o Léo aprendendo tudo (e me ensinando tudo) sobre o Ano Novo Judaico, a criação do mundo, etc:
- Foi assim que tudo começou, mãe. Deus criou a terra, o céu, o mar, as plantas e os animais, criou o homem e a mulher.
- Quanta coisa linda ele criou, né, Léo?
E ele, pensativo:
- E quem foi que criou Deus?!?!?!?

.................................................................................

domingo, 28 de agosto de 2011

"Tricotices"

A primeira tricotada "a gente nunca esquece". E pra garantir que a gente não vai esquecer mesmo, deixo esta pequena relíquia aqui no blog. (Quem sabe meus filhos, netos, bisnetos e tataranetos não lerão um dia.)
Do alto dos seus quase quatro anos, o pinguinho de gente da Bella resolveu bater um papo bem entrosado com a Patrícia, que trabalha na nossa casa. Eis o diálogo, na íntegra:
- Pat, você sai com a sua mãe no fim de semana?
- Saio, Bella.
- Só você e ela?
- Não, eu tenho uma irmã.
- Como ela chama?
- Luciana.
- Luciana?! Igual a minha prima, que mora em Uberlândia. Ela é filha da Tia Rosi e tem um namorado liiiindo, chamado Fred. (!)
(Risos, muito risos da Patrícia)
Com a maior seriedade do mundo, lá vem a Bella:
- Por que é que você tá rindo? (...)
- Nada, Bella, nada, só achei graça do jeito que você falou.
- Ele é um gato. Mas não conta pra ninguém, tá? Esse vai ser o nosso segredo. (!)
.........................
PS: Tão longe tão perto, de um jeito ou de outro, a Tia Rosi e a Lulu são sempre lembradas por nós. Bem-vindo ao clube, Fred. (!) Seu ibope anda alto por aqui.

domingo, 17 de julho de 2011

Resolvendo conflitos

Ontem fomos almoçar no Hokkaido.
Nem bem escolhemos a mesa, a Bella viu outras crianças brincando debaixo do piano e foi logo se enfiando lá embaixo também, saidinha que é.
Voltou desapontada:
- Manhê, aquele menino de blusa verde me chamou de chata.
- Ah, minha filha, ele é pequenininho, vai ver nem sabe o que é "chata".
Foi lá e voltou ainda mais desapontada:
- Mãe, ele me chamou de chata de novo.
- Vai lá e resolve... É conversando que a gente se entende.
Dessa vez voltou mais animada e me disse:
- Mãe, fui lá. Resolvi. Ele não vai me chamar mais de chata.
- E como é que você resolveu, Bebella?
- Ele foi embora.
.....................................................

domingo, 3 de julho de 2011

Perolices do fim de semana

Parque Municipal, sábado de manhã, sol a pino.
Eu, Léo e Bella engrossando a fila da Roda Gigante, maior alegria.
Chega a nossa vez. Quando a barra de proteção faz "clec" e começamos a subir, o Léo me vem com essa:
- Eu não gosto de roda gigante.
Detesto quando pára lá em cima e fica balançando. (!...)
...............................................
Vovô Tito veio corujar os netos. Jogou playstation com o Léo e comeu guloseimas com a Bella. Na hora de ir embora, fomos levá-lo até o elevador. Suspirando, a baixinha olhou pra mim e disse:
- Ahhhhhhhh, eu adoro o seu pai!...
..............................................
O domingo nem acabou e o Léo, já pensando no próximo final de semana:
- Mãe, o Vitor pode vir aqui em casa no sábado?
Por favor, por favor, por favor, por favor!!!
- Ué, pode, Léo.
- Oba! Minha técnica deu certo.
- Que técnica, menino?!
- A técnica que o João me ensinou. Quando a gente quer muito uma coisa, é só pedir "por favor, por favor, por favor, por favor" assim. (!...)