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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Mais farofa?


Colocando um pouco mais de farofa na panela, vai uma uma outra perolice que esqueci de contar no post anterior.
Perolice jurídico-psicológica, logo você vai entender por quê.
A Bella tem uma amiga muito querida, Maria Clara, uma fofurice só.
Outro dia ela foi brincar lá em casa e não quis ir embora de jeito nenhum.
A Vó Riza chegou para buscá-la e as duas trataram de se esconder rapidinho, uma debaixo da cama e outra atrás da cortina.
Assim que foram descobertas, começou a choradeira misturada ao forte apelo infantil:
- Ahhhhhhh, deixa ela ficar mais um pouquinho, deixaaa!...
- Deixa, deixa, deixa, vovó!... Só mais um pouquinho!...
- Deixa! Deixa! Deixa!
- Por favor, por favor, por favoooooor!...
- Coitada da menina, deixaaaa!...
- Por favor, por favor! Por obséquio, por obséquio, por obséquio!...
- Acho melhor você deixar, né? Se não é muito sofrimeeeento!...
Tá explicado, argumentado, tá resolvido, meninas. Dois a zero pra vocês.
(É isso o que acontece quando uma filha de advogada se junta com uma filha de psicóloga para brincar.)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Perolices edificantes


Na volta da escola, vou entrando no mundinho da Bella,
perguntando como foi seu dia:
- Então, minha flor, o que você aprendeu hoje?
- Aprendi a ter dúvidas!
É. Dá-lhe Sócrates, "só sei que nada sei".
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Comentário do Léo no final do domingo:
- Mãe, você sabia que a vovó bebe?
- É, de vez em quando ela toma uma cervejinha...
Por que a surpresa, meu filho?
- É que ela não é adulta, é idosa...
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Bella empolgada para ir ao sítio:
- Ai, eu tô tão feliz!
- Por que, Bebella?
- Por que eu vou ver minha cachorrinha, a Teca.
Ela ficou ENGRAVIDADA!
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sábado, 13 de abril de 2013

Perolices profissionais


Para as crianças, profissão é um assunto que não costuma causar muita polêmica.
A boa e velha frase "O que você vai ser quando crescer?" traz algumas respostas na ponta da língua.
A Bella, por exemplo, já decidiu que vai ser psicóloga, escritora, cozinheira e professora.
O Léo quer ser engenheiro de lego, arquiteto, ator e diretor de filmes de ação. De 007 pra cima.
Aí eles crescem e, na hora H, percebem que escolher a profissão da sua vida não é algo tão simples assim.
Dá-lhe angústia. Dá-lhe dúvida. Dá-lhe sessão de terapia e teste vocacional para definir
seu ganha-pão, sua rotina diária, seu brilho nos olhos. (O fundamental brilho nos olhos.)
E aí um dia, além de profissionais, eles viram pai e mãe, sempre apressados para trabalhar,
e ainda tendo que parar para explicar aos filhos o que significa essa correria toda:
- Mas, mamãe, por que você tem que trabalhar? Vou ficar com saudade!...
- Por que a mamãe tem que ganhar dinheiro para pagar a escola, pagar a nossa ajudante,
comprar coisas gostosas pra gente comer... Suas roupas, seus brinquedos,
sua festa de aniversário, tudo custa dinheiro.
Mas não é só por isso, minha filha: a mamãe adora trabalhar.
Vejo algumas mães sofrendo, carregando uma tonelada de culpa nas costas porque trabalham fora.
Elas se esquecem do modelo importante que são para os filhos:
modelo de gente trabalhadora, batalhadora, realizada, feliz.
E, apesar da saudade, os pequenos vão se enchendo de orgulho dos pais.
Outro dia a Bella estava numa prosa animada com a Sofia, uma de suas amigas prediletas,
justamente sobre esse assunto:
- Sabia, Bebella, que o meu pai é presidente da escola? (...)
- Pois o meu é síndico. Ele manda no prédio todo. (!)

sábado, 12 de janeiro de 2013

Perolices animais

Como já contei antes, férias em casa é um caso sério. Até brincadeira de psicólogo entra na história pra passar o tempo.
Então, para variar o repertório, resolvi deixar os meninos no sítio, cercados de cuidados dos avós, tios e primos mais que corujas.
E aí as brincadeiras mudaram de profissão: as crianças viraram veterinários, mergulhadores, cozinheiros, fazendeiros. Uma farra só.
Quando chegamos, um Léo afoito veio correndo contar o episódio do ano. (Já.)
- Mãe, você não acredita! A gente tava brincando perto da porteira quando viu uma cena horrível. A égua do vizinho tava empacada, e o caseiro começou a bater nela com um pau. Bateu tanto, mãe, que a boca dela começou a sangrar! Saiu muito sangue!
- Que absurdo, meu filho, ninguém fez nada?
- A vovó saiu gritando, falando pro moço parar, deu a maior bronca. Num é um absurdo, mãe? A gente tinha que denunciar! Tinha que chamar o Obama!
(!)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Perolices de férias

As merecidas férias escolares nem sempre coincidem com as merecidas férias dos pais. Nem sempre coincidem com o camarãozinho na praia, os castelos de areia, o galo cantando na fazenda ou os bonecos de neve pra quem vai mais longe. Uma parte coincide, é claro. Tem que coincidir, afinal somos todos filhos de Deus.
Mas dois meses de férias é fogo. Dá-lhe clube, piscina, casa da tia, vô coruja e amigos para fazer o tempo passar macio, alegre, preenchido.
Mas quando o "point" é em casa, há de saber equilibrar o tempo sem deixar a infância se aprisionar na obcecante-paralisante-alienante força tecnológica dos playstations, notebooks, aparelhos de LCD.
Haja criatividade para transformar crianças em pilotos de avião, veterinários, caixas de supermercado, bailarinas, cantores de rock. Dá-lhe Lego, Barbie, Poly, Playmobil. Dá-lhe bola de meia, caixa de ovo, argila, bicicleta e até "divã":
- Alô.
- Ei, filho, tudo bem? O que você está fazendo?
- Brincando de psicólogo.
- (!...)
- A Bella está meio sem paciência, então eu estou "atendendo" ela.
- E como é esse atendimento?!
- Ela entra, assenta e a gente joga paciência.
(...)

domingo, 17 de julho de 2011

Resolvendo conflitos

Ontem fomos almoçar no Hokkaido.
Nem bem escolhemos a mesa, a Bella viu outras crianças brincando debaixo do piano e foi logo se enfiando lá embaixo também, saidinha que é.
Voltou desapontada:
- Manhê, aquele menino de blusa verde me chamou de chata.
- Ah, minha filha, ele é pequenininho, vai ver nem sabe o que é "chata".
Foi lá e voltou ainda mais desapontada:
- Mãe, ele me chamou de chata de novo.
- Vai lá e resolve... É conversando que a gente se entende.
Dessa vez voltou mais animada e me disse:
- Mãe, fui lá. Resolvi. Ele não vai me chamar mais de chata.
- E como é que você resolveu, Bebella?
- Ele foi embora.
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Fome de quê?

Adoro filmes infantis. Apesar de serem feitos para crianças, atingem em cheio os adultos, grandes crianças que são, tocadas por temas que lhes dizem muito respeito - auto-estima, amor próprio, felicidade, relação entre pais e filhos, etc.
Nem todos os filmes dá pra assistir. A vovó Clara passa na minha frente, pega os meninos e lá vão eles pro cinema, felizes da vida.
Kung Fu Panda foi assim. E como eu não quero perder o 2 por nada desse mundo (mas também não quero pegar o bonde andando), fiz um baldão de pipoca e assistimos ao filme, eu e o Léo. (A Bella, esbodegada da escola, já tinha virado Bela Adormecida faz tempo.)
Se é pra fazer uma reflexão, lá vai: comida.
Temos um urso panda, gordinho por natureza, que trabalhava com o pai (um pato!) fazendo macarrão. Urso engraçadinho, espirituoso, cheio de garra e empenho para conseguir o que quer: ser um grande lutador de Kung Fu.
No meio do filme, chateado pelos obstáculos que encontra no caminho, o mocinho do filme vai pra cozinha e se empanturra de biscoitos. Come, come, come até dizer chega. Até o seu mestre aparecer e testemunhar a sua gula. Ao que ele justifica tristemente:
- É... Quando eu fico chateado eu como.
Corta. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Quantos(as) ursinhos(a) panda você não conhece por aí?
Você mesmo(a), confessa que nunca abriu uma caixa de chocolate pra curar dor de cotovelo?
Espaços vazios. Abismos dentro da alma. Fome. Sede. Gula. Falta.
E aí vem o biscoito, a macarronada, o bombom, a pizza para prencher o que está oco. Para compensar a falta de alegria, amor, serenidade, afeto, equilíbrio. Pseudo-prazer que logo vira desprazer. Vira culpa, dor no estômago, quilos extra.
Chega de pipoca. Hora de escovar os dentes, dormir um sono bom e alimentar a alma de sonhos.
Boa noite, caro(a) leitor(a).

domingo, 3 de julho de 2011

Perolices do fim de semana

Parque Municipal, sábado de manhã, sol a pino.
Eu, Léo e Bella engrossando a fila da Roda Gigante, maior alegria.
Chega a nossa vez. Quando a barra de proteção faz "clec" e começamos a subir, o Léo me vem com essa:
- Eu não gosto de roda gigante.
Detesto quando pára lá em cima e fica balançando. (!...)
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Vovô Tito veio corujar os netos. Jogou playstation com o Léo e comeu guloseimas com a Bella. Na hora de ir embora, fomos levá-lo até o elevador. Suspirando, a baixinha olhou pra mim e disse:
- Ahhhhhhhh, eu adoro o seu pai!...
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O domingo nem acabou e o Léo, já pensando no próximo final de semana:
- Mãe, o Vitor pode vir aqui em casa no sábado?
Por favor, por favor, por favor, por favor!!!
- Ué, pode, Léo.
- Oba! Minha técnica deu certo.
- Que técnica, menino?!
- A técnica que o João me ensinou. Quando a gente quer muito uma coisa, é só pedir "por favor, por favor, por favor, por favor" assim. (!...)