Tenho uma cunhada que é especialíssima em tudo o que faz. Especialíssima no sentido de especial e também especialista em várias coisas, se é que a língua portuguesa me permite fazer a casadinha.
Margaret (carinhosamente chamada de Lelete, Lelesse) é a primeira filha de cinco o que significa que, além de irmã mais velha, é também a mãezona de todos. Sempre derramando afeto, sempre preocupada com que tudo saia bem, sempre esmerada em fazer com que cada programa de férias seja o melhor, faça chuva ou faça sol.
Você precisa ver a salada que ela faz. O bobó de camarão que ela faz. A peixada que ela faz. O pudim de leite condensado que ela faz. O drama que ela faz quando você troca um prato dela pelo restaurante. (Você precisa ver a braveza da Lelete.)
Quando não está de férias, seu esmero é com o trabalho. Fisioterapeuta de mão cheia, é especialista em cuidar das dores, nódulos, desvios de gente que costuma carregar o mundo nas costas.
Acostumada que está a cuidar, tornou-se desde sempre a cuidadora-mor da família. A que dá notícias, providencia médicos, pensa e antecipa soluções. E quando junta tudo isso com afeto, amor e preocupação, o resultado é, muitas vezes, um certo exagero já conhecido pelo restante da família. Com uma boa dose de humor e leveza, os irmãos brincam acerca do drama que muitas vezes vem daí.
Outro dia ela ligou lá pra casa na maior preocupação e falou com o meu marido:
- Mamãe não está bem. Passou mal a noite toda. Tossindo, corpo ruim, febre. Acho que é pneumonia. Médico, exame de sangue, raio-x, ressonância magnética, hospital. Acho que vai precisar ser internada.
Quando ele desliga, pergunto o que houve.
A resposta cabe numa frase:
- Mamãe vai gripar.
................................
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Emoções não tiram férias
Cenário: uma sanduicheria no litoral capixaba no primeiro dia do ano.
Personagens: pai, mãe e uma filha de aproximadamente cinco anos.
Drama: filha chorando, mãe quase chorando, pai calado.
***************************************************
Em uma mesa um pouco atrás, entre ketchups, batatas palha e risos de família, fui tendo a minha atenção desviada para aquela cena. Do jeito que a criança chorava e do jeito que a mãe ia ficando comovida, ao mesmo tempo em que tentava conversar com ela e enxugar suas lágrimas, fiquei pensando no que poderia ter acontecido. "Deve ter morrido um avô", pensei. Só mesmo uma dor desse tamanho para fazer mãe e filha chorarem no primeiro dia do ano, em plenas férias, numa sanduicheria na beira da praia.
Engano meu. Parei o sanduíche no meio da mordida quando vi, com a ajuda do meu sobrinho Matheus, o que na verdade estava acontecendo. A mãe estava brigando com o pai na frente da filha, carregando com raiva e tristeza cada palavra:
"- Não, eu não disse pra ela que você não presta. Mas como é que eu vou confiar em você? Como é que eu vou confiar em você, me fala?"
Como um CD arranhado, a mulher repetia essa frase a cada cinco minutos, buscando na filha um escudo, um álibi, uma salvação.
A vontade que eu tive foi colocar a menina no colo e trocar o sanduíche por um sorvete. Três bolas, de preferência, que é pra distrair bastante e esfriar aquela cabecinha tão pequena e já cheia de problemas que ela não pediu pra viver.
Criança não deve se meter em assunto de adulto, tá certo. E assunto de adulto se resolve (ou pelo menos deveria se resolver) assim: no privado, entre quatro paredes, limitado à compreensão (ou incompreensão, dependendo do caso) de quem já é bem crescidinho.
Fico imaginando como é que desceu aquele sanduíche, depois de tanta mágoa entalada.
Fico pensando nos registros emocionais dessa menina ao testemunhar e participar de um momento tão pouco nutritivo e saudável.
Volto ao meu cheeseburger, ao meu "problema" de não deixar escapar o milho com o alface e as batata palha.
Lembro, enfim, que estou de férias.
Personagens: pai, mãe e uma filha de aproximadamente cinco anos.
Drama: filha chorando, mãe quase chorando, pai calado.
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Em uma mesa um pouco atrás, entre ketchups, batatas palha e risos de família, fui tendo a minha atenção desviada para aquela cena. Do jeito que a criança chorava e do jeito que a mãe ia ficando comovida, ao mesmo tempo em que tentava conversar com ela e enxugar suas lágrimas, fiquei pensando no que poderia ter acontecido. "Deve ter morrido um avô", pensei. Só mesmo uma dor desse tamanho para fazer mãe e filha chorarem no primeiro dia do ano, em plenas férias, numa sanduicheria na beira da praia.
Engano meu. Parei o sanduíche no meio da mordida quando vi, com a ajuda do meu sobrinho Matheus, o que na verdade estava acontecendo. A mãe estava brigando com o pai na frente da filha, carregando com raiva e tristeza cada palavra:
"- Não, eu não disse pra ela que você não presta. Mas como é que eu vou confiar em você? Como é que eu vou confiar em você, me fala?"
Como um CD arranhado, a mulher repetia essa frase a cada cinco minutos, buscando na filha um escudo, um álibi, uma salvação.
A vontade que eu tive foi colocar a menina no colo e trocar o sanduíche por um sorvete. Três bolas, de preferência, que é pra distrair bastante e esfriar aquela cabecinha tão pequena e já cheia de problemas que ela não pediu pra viver.
Criança não deve se meter em assunto de adulto, tá certo. E assunto de adulto se resolve (ou pelo menos deveria se resolver) assim: no privado, entre quatro paredes, limitado à compreensão (ou incompreensão, dependendo do caso) de quem já é bem crescidinho.
Fico imaginando como é que desceu aquele sanduíche, depois de tanta mágoa entalada.
Fico pensando nos registros emocionais dessa menina ao testemunhar e participar de um momento tão pouco nutritivo e saudável.
Volto ao meu cheeseburger, ao meu "problema" de não deixar escapar o milho com o alface e as batata palha.
Lembro, enfim, que estou de férias.
domingo, 1 de janeiro de 2012
O velho Ano Novo de sempre
Para alguns, o Ano Novo é apenas mais uma sequência de 365 dias; agenda em branco, rugas a mais, calendário atualizado para organizar o tempo.
Para muitos, é uma coletânea de verbos para escrever na agenda: acreditar, querer, viver, mudar. E aí dá-lhe fogos de artifício, abraços emocionados à meia-noite, taças brindando, flores pra Iemanjá.
Quem não tem mar que arranje uma lagoa, uma piscina, um tanque. Até a chuva vale para encharcar você de boas energias.
Tudo o que é novo traz um certo mistério, uma certo quarto escuro. Basta você se lembrar do que já viveu de novo na sua vida: um emprego novo, um namorado novo, um apartamento novo, um país novo. Às vezes até um sapato novo pode ter um significado especial, dependendo pra onde ele te leva.
Fato é que 2012 chega trazendo um mistério simples de ser desvendado. Se nenhum fato extraordinário acontecer, se nenhum evento de força maior mudar o rumo da história, tudo pode acontecer tal como você esperou, chorou, pediu na virada do ano.
Para alguns, só de virar a página já se vive um Feliz Ano Novo. Alegria de deixar para trás páginas mal escritas, rabiscadas, rasgadas. Uma doença. Um desaponto. Uma tristeza. Uma perda. Um profundo desencontro.
Para outros, o que fica é a gratidão pelo ano que se foi. Junto dele crescimento, realização, reencontros. Um filho que nasceu. Um amor que floresceu. Amizades cada vez mais vivas. Família completa. Trabalho cheio de frutos para colher.
De uma forma ou de outra, soltam fogos para iluminar o que ainda está escuro. Dependendo de como se vive, até o verbo continuar pode ter emoção na sua escrita.
Feliz 2012!
Para muitos, é uma coletânea de verbos para escrever na agenda: acreditar, querer, viver, mudar. E aí dá-lhe fogos de artifício, abraços emocionados à meia-noite, taças brindando, flores pra Iemanjá.
Quem não tem mar que arranje uma lagoa, uma piscina, um tanque. Até a chuva vale para encharcar você de boas energias.
Tudo o que é novo traz um certo mistério, uma certo quarto escuro. Basta você se lembrar do que já viveu de novo na sua vida: um emprego novo, um namorado novo, um apartamento novo, um país novo. Às vezes até um sapato novo pode ter um significado especial, dependendo pra onde ele te leva.
Fato é que 2012 chega trazendo um mistério simples de ser desvendado. Se nenhum fato extraordinário acontecer, se nenhum evento de força maior mudar o rumo da história, tudo pode acontecer tal como você esperou, chorou, pediu na virada do ano.
Para alguns, só de virar a página já se vive um Feliz Ano Novo. Alegria de deixar para trás páginas mal escritas, rabiscadas, rasgadas. Uma doença. Um desaponto. Uma tristeza. Uma perda. Um profundo desencontro.
Para outros, o que fica é a gratidão pelo ano que se foi. Junto dele crescimento, realização, reencontros. Um filho que nasceu. Um amor que floresceu. Amizades cada vez mais vivas. Família completa. Trabalho cheio de frutos para colher.
De uma forma ou de outra, soltam fogos para iluminar o que ainda está escuro. Dependendo de como se vive, até o verbo continuar pode ter emoção na sua escrita.
Feliz 2012!
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Tédio
Semana passada levei o Léo à oftalmologista para um check-up de rotina. Na sala de espera, o pequeno paciente teve que ter paciência: pinga colírio, arde um bocado, espera um pouquinho, pinga de novo, arde mais um bocado, aguarda até ser chamado pra entrar.
Peraí. Paciência? Para um menino em plenas férias escolares, que deixou o coleguinha em casa jogando playstation até ele voltar? Ah, é mesmo pedir demais.
As pupilas foram dilatando e a tromba também, proporcionalmente. Visivelmente cabreiro, mal-humorado, o pequeno me solta essa:
- Mãe, quero ir embora...
- Calma, meu filho, já já você vai entrar.
- Tô com tédio...
Passado alguns minutos (talvez os mais tediantes da sua vida), ele finalmente adentra pela sala da Dra. Daíse.
Depois de olhar para a parede e falar uma porção de letrinhas miúdas, a única palavra que passou a não existir mais era tédio. Esse sentimento acinzentado se transformou rapidinho em alegria quando ele soube que finalmente ia precisar usar óculos.
(Vai entender.)
Numa hora dessas o Léo já deve até ter esquecido o que é tédio. Desde sábado ele está se divertindo na machané (acampamento judaico) com os amigos da escola, o que inclui banho de piscina, chuva, lama; brincadeiras, noite do terror, gincanas.
O detalhe é que não pode levar celular, para desespero de "algumas mães" que nunca passaram um dia sequer sem falar com o filho. A ideia é mesmo criar nos meninos toda uma ideia de desprendimento, autonomia, desapego.
Nada mais saudável, eu sei. Saudável saudade, esta é a verdade...
Léo, a gente tem certeza de que você tá aproveitando como se estivesse na Disney.
Mas que a casa fica o maior tédio sem você, ah isso só sendo cego pra não ver...
Peraí. Paciência? Para um menino em plenas férias escolares, que deixou o coleguinha em casa jogando playstation até ele voltar? Ah, é mesmo pedir demais.
As pupilas foram dilatando e a tromba também, proporcionalmente. Visivelmente cabreiro, mal-humorado, o pequeno me solta essa:
- Mãe, quero ir embora...
- Calma, meu filho, já já você vai entrar.
- Tô com tédio...
Passado alguns minutos (talvez os mais tediantes da sua vida), ele finalmente adentra pela sala da Dra. Daíse.
Depois de olhar para a parede e falar uma porção de letrinhas miúdas, a única palavra que passou a não existir mais era tédio. Esse sentimento acinzentado se transformou rapidinho em alegria quando ele soube que finalmente ia precisar usar óculos.
(Vai entender.)
Numa hora dessas o Léo já deve até ter esquecido o que é tédio. Desde sábado ele está se divertindo na machané (acampamento judaico) com os amigos da escola, o que inclui banho de piscina, chuva, lama; brincadeiras, noite do terror, gincanas.
O detalhe é que não pode levar celular, para desespero de "algumas mães" que nunca passaram um dia sequer sem falar com o filho. A ideia é mesmo criar nos meninos toda uma ideia de desprendimento, autonomia, desapego.
Nada mais saudável, eu sei. Saudável saudade, esta é a verdade...
Léo, a gente tem certeza de que você tá aproveitando como se estivesse na Disney.
Mas que a casa fica o maior tédio sem você, ah isso só sendo cego pra não ver...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Livro de vida inteira
Tenho me encontrado com Martha Medeiros todos os dias. Cada página de "Feliz por nada" é um pouquinho dela que fica em mim, fazendo-me acreditar que essa tal de sintonia realmente existe.
Além do jeito lindo de escrever, Martha Medeiros encanta com o conteúdo de cada crônica.
Fiquei presa "Dentro de um abraço", ouvindo "Sons que confortam", pensando na "Melhor coisa que não me aconteceu", me deliciando com "Beijo em pé".
Algumas crônicas já estou recomendando de "para-casa" para alguns clientes no consultório. Destaque para "Amigo de si mesmo", em que a vida ganha um outro contorno a partir do momento que você "se amiga" com você mesmo. Injeção de auto-estima na veia.
Para aumentar a sintonia, descobri no livro que a Martha foi, assim como eu, publicitária. E, se ainda não virou psicóloga, tem com certeza um pezinho nesse chão fértil das relações humanas. Suas percepções, sua autenticidade são um verdadeiro presente pra gente. Seu livro, mais que um ótimo passatempo nos dias de chuva (e também sol, praia, lua) é um convite ao pensar. Não só o pensar das sinapses nervosas, mas especialmente das artérias que percorrem o coração.
"Feliz por nada" é desses livros que a gente "entra" de um jeito e "sai" de outro, maior e melhor eu diria.
Cada crônica que eu leio é uma conversa boa que tenho com Martha Medeiros. Silenciosa e entusiasmadamente concordo com ela em gênero, número, grau, emoção e pensamento.
Vou além da sintonia e me atrevo a dizer, mesmo sem nenhuma comprovação científica ou teste de DNA, que a minha alma é prima da dela. E esse "parentesco" me enche de inspiração; não só para escrever, mas viver. "Feliz por nada" e também por tudo.
Além do jeito lindo de escrever, Martha Medeiros encanta com o conteúdo de cada crônica.
Fiquei presa "Dentro de um abraço", ouvindo "Sons que confortam", pensando na "Melhor coisa que não me aconteceu", me deliciando com "Beijo em pé".
Algumas crônicas já estou recomendando de "para-casa" para alguns clientes no consultório. Destaque para "Amigo de si mesmo", em que a vida ganha um outro contorno a partir do momento que você "se amiga" com você mesmo. Injeção de auto-estima na veia.
Para aumentar a sintonia, descobri no livro que a Martha foi, assim como eu, publicitária. E, se ainda não virou psicóloga, tem com certeza um pezinho nesse chão fértil das relações humanas. Suas percepções, sua autenticidade são um verdadeiro presente pra gente. Seu livro, mais que um ótimo passatempo nos dias de chuva (e também sol, praia, lua) é um convite ao pensar. Não só o pensar das sinapses nervosas, mas especialmente das artérias que percorrem o coração.
"Feliz por nada" é desses livros que a gente "entra" de um jeito e "sai" de outro, maior e melhor eu diria.
Cada crônica que eu leio é uma conversa boa que tenho com Martha Medeiros. Silenciosa e entusiasmadamente concordo com ela em gênero, número, grau, emoção e pensamento.
Vou além da sintonia e me atrevo a dizer, mesmo sem nenhuma comprovação científica ou teste de DNA, que a minha alma é prima da dela. E esse "parentesco" me enche de inspiração; não só para escrever, mas viver. "Feliz por nada" e também por tudo.
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sábado, 10 de dezembro de 2011
"Noite de Ano Novo"
Tá bom, tá bom. Sei que desembestei a falar de cinema, mas não resisto à tentação. É que a questão náo é bem o cinema. É o tanto de vida que se desenrola ali na telona, acústica perfeita de "eu te amos", "te perdôo", "olás", "adeus", "Feliz Ano Novo".
Então é noite de Ano Novo em Nova York. Precisa falar mais alguma coisa? Ou você quer que eu chame o Frank Sinatra pra gente dar uma palinha? "It´s up to you, New York, New Yooooooork!..."
Sim, o filme é cheio de música, emoção, atores de peso (destaque para Robert De Niro e Michelle Pfeiffer, que quase não reconheci), paisagens de cartão postal, fogos de artifício e pequenas pitadas de clichê. Mas o que seria o Ano Novo senão um belo, grande e esperado clichê? Constatação entusiasmada (ou não, na versão dos mal-humorados de plantão) de que a vida continua, vira a página, começa um novo capítulo. E que pode começar de um jeito diferente, sem promessas em vão, ditas para o vento, mas com uma nova paisagem dentro de você. Paisagem feita de paz, alegria, amor, esperança, sucesso, realização. Mudanças silenciosas, majestosas, que para você farão todo o sentido.
Você pode ganhar na Megasena. Arrumar um namorado. Mudar de emprego. Dar a volta ao mundo. Ir pra Bali, Cabo Frio ou Milão. Mudar, casar e não me convidar.
Mas a realização que falei lá em cima não tem necessariamente que estar em projetos grandiosos, extraodinários ou radicais. Pode ser algo pequeno, sutil, mas suficiententemente grande para transformar a sua paisagem interior. Sol no lugar de neve, flores para um jardim árido, chuva para irrigar os seus desertos.
Feliz Ano Novo. (Um pouco antes da hora, eu sei, mas já inteiramente no clima depois desse filme delicioso.)
Então é noite de Ano Novo em Nova York. Precisa falar mais alguma coisa? Ou você quer que eu chame o Frank Sinatra pra gente dar uma palinha? "It´s up to you, New York, New Yooooooork!..."
Sim, o filme é cheio de música, emoção, atores de peso (destaque para Robert De Niro e Michelle Pfeiffer, que quase não reconheci), paisagens de cartão postal, fogos de artifício e pequenas pitadas de clichê. Mas o que seria o Ano Novo senão um belo, grande e esperado clichê? Constatação entusiasmada (ou não, na versão dos mal-humorados de plantão) de que a vida continua, vira a página, começa um novo capítulo. E que pode começar de um jeito diferente, sem promessas em vão, ditas para o vento, mas com uma nova paisagem dentro de você. Paisagem feita de paz, alegria, amor, esperança, sucesso, realização. Mudanças silenciosas, majestosas, que para você farão todo o sentido.
Você pode ganhar na Megasena. Arrumar um namorado. Mudar de emprego. Dar a volta ao mundo. Ir pra Bali, Cabo Frio ou Milão. Mudar, casar e não me convidar.
Mas a realização que falei lá em cima não tem necessariamente que estar em projetos grandiosos, extraodinários ou radicais. Pode ser algo pequeno, sutil, mas suficiententemente grande para transformar a sua paisagem interior. Sol no lugar de neve, flores para um jardim árido, chuva para irrigar os seus desertos.
Feliz Ano Novo. (Um pouco antes da hora, eu sei, mas já inteiramente no clima depois desse filme delicioso.)
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domingo, 4 de dezembro de 2011
Pipoca com pimenta
Apaixonada por cinema que sou, corro pra fila quando há um bom lançamento ou pra locadora quando ele já saiu de cartaz. (Sim, os filmes costumam sair logo de cartaz quando se é mãe, profissional, mestranda, dona de casa...).
Semana passada fiz as duas coisas: aluguei "O Concerto" e vi na telona todo o talento de Almodovar em seu mais recente "A Pele que Habito".
Recomendo os dois, sem pestanejar.
"O Concerto" nos envolve com a sua graça, emoção e a beleza orquestrada por Tchaikovsky.
"A Pele que Habito" nos cobre de suspense e adrenalina com a sua trama psicológica tão inusitada, supreendentemente arquitetada. (Acordei no dia seguinte com as cenas na cabeça.)
Os dois têm em comum, apesar de estilos tão diferentes, a vingança como tema. No primeiro, a vingança que nasce por acaso, pela interceptação de um fax, movida pela paixão e pelo brio, pelo brilho nos olhos que ilumina uma causa nobre. (Nobríssima.)
No segundo, a vingança vem perfeitamente de encaixe, desencaixando tudo, violentamente proporcional a uma dor doída de morrer.
Seja pela audição ou tato, a vingança se faz ouvir em alto e bom som; e é tão vingativa que dá até pra pegar. Em ambos os casos, tem pimenta pra arder os olhos; e está longe de ser um prato que se serve frio.
Semana passada fiz as duas coisas: aluguei "O Concerto" e vi na telona todo o talento de Almodovar em seu mais recente "A Pele que Habito".
Recomendo os dois, sem pestanejar.
"O Concerto" nos envolve com a sua graça, emoção e a beleza orquestrada por Tchaikovsky.
"A Pele que Habito" nos cobre de suspense e adrenalina com a sua trama psicológica tão inusitada, supreendentemente arquitetada. (Acordei no dia seguinte com as cenas na cabeça.)
Os dois têm em comum, apesar de estilos tão diferentes, a vingança como tema. No primeiro, a vingança que nasce por acaso, pela interceptação de um fax, movida pela paixão e pelo brio, pelo brilho nos olhos que ilumina uma causa nobre. (Nobríssima.)
No segundo, a vingança vem perfeitamente de encaixe, desencaixando tudo, violentamente proporcional a uma dor doída de morrer.
Seja pela audição ou tato, a vingança se faz ouvir em alto e bom som; e é tão vingativa que dá até pra pegar. Em ambos os casos, tem pimenta pra arder os olhos; e está longe de ser um prato que se serve frio.
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