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domingo, 13 de abril de 2014

5 Anos


Há cinco anos a gente se encontra, conversa,
conecta, troca um dedo de prosa e poesia.
Respira fundo e chora, ri, pensa, sente,
sonha, realiza, eterniza o que há para ser guardado.
Há cinco anos a gente faz das palavras terapia,
da terapia alegria, da alegria razão de viver.

Obrigada por fazer parte
da minha inspiração e da minha escrita.

Com você, o blog faz festa, poema,
convite, pausa, movimento,
faz todo o sentido.


Um abraço carinhoso,

Renata

P.S.: Em breve, novidades para você. Aguarde.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Março


Noite escura.
Fez sol.
Encontro iluminado.
Fez sentido.
Grandeza de alegria.
Amor de sinfonia.
Contração de coração.
Fez festa dentro de mim.
Silêncio no hospital.
Emoção dilatada.
Duo de piano e violino começou a tocar.
Tocou a alma.
Sinos ressoaram.
Sina mais linda inventei de viver.
Olhos cheios d’água.
Águas de março.
Nasceu você.


* Retirado do livro Refúgio, Renata Feldman, Editora Asa de Papel, 2013.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pausas


Se eu morrer de amor?
Morri.
Flores, violino, último suspiro.
Nasci.
Dor de contração, vôo livre, vou.
Viena, Toscana, Tel Aviv.
Parada cardíaca, abalo de emoção,
nudez enluarada, embalo de dormir.
Concha, estrela,
morrer do sol,
Deus de longe vi.
Poesia, escritura,
lindura de palavra inventada
pra dizer numa sentada
o que senti.
Porvir. Por mim. Tin-tin.
Se eu nascer de amor?
Vivi.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O dia em que a terapeuta chorou. Ou: emoção de uma crônica autorizada


Toda quinta ela anunciava sua chegada com uma batida inconfundível na porta: toc-toc, toc-toc, toc-toc. Chegava carregada de luz, cansaço, pasta executiva, esperança, celular já no jeito para plugar no tomada e vontade de mudar o mundo - o seu mundo.
Queria emagrecer, queria engravidar, queria deixar a vida de executiva pilhada no último grau e ficar bem zen.
Seu sonho quase foi parar no Guinness Book: tudo o que aquela mulher queria era deixar o posto de empresária e virar professora de ioga para crianças. Simples assim.
E para provar que sonho só faz sentido quando vira realidade um dia, lá foi ela à luta. À doce labuta de trocar o salto alto pelos pés descalços, o tailleur pela malha confortável, os contratempos empresariais pelo tempo vivido com respiro, alegria e sentido - muito sentido.
A ioga veio na vida dela como um remédio, literalmente falando. A executiva se deu alta do psiquiatra, jogou fora o antidepressivo, começou a frequentar templos budistas, mergulhou em livros e cursos de ioga, respirou aliviada. Ommm... Ommm...
De tão bem que estava, se deu alta da terapia também. Esqueceu lá no consultório a sombrinha ("Freud explica"), voltaria para pegar depois. Voltou: seis meses depois, só para matar a saudade e trocar algumas ideias, ainda sem emprego mas em busca de um trabalho que deixasse a alma dela repleta, leve. Ganha-pão recheado de realização, não poderia ser diferente.
Coincidentemente, a professora de ioga da minha filha (um desses privilégios deliciosos do horário integral) estava saindo de licença-maternidade. Não pestanejei em indicar a minha querida ex-executiva para ocupar a vaga. Ocupou. Preencheu de alegria e sentido cada segundo da sua vida. E das crianças que deram a sorte de tê-la como professora, tão cheia de leveza e alegria, ensinando sentimentos bons como paz, alegria, harmonia. (Como o mundo anda precisando disso.)
Há algumas semanas foi a festinha de encerramento da escola com apresentação para os pais. Balé, música, inglês e ioga. Fui ansiosa para assistir a Bella, já controlando a respiração para ver também a minha querida ex-executiva na ativa, fazendo o que mais ama na vida.
Qual não foi minha frustração quando vi uma outra professora estendendo as esteiras coloridas no chão, preparando o ambiente para envolver pais e filhos em uma relaxante aulinha de ioga. "Será que aconteceu alguma coisa?", pensei. "Será que ela foi mandada embora ou decidiu sair? A Bella não me disse nada...".
Qual não foi minha alegria quando me dei conta do engano; não era outra professora, mas sim a minha querida ex-executiva, a própria,de carne e osso, só que dezessete quilos mais magra, cabelo até a cintura, corpo de bailarina, brilho nos olhos, energia de quem finalmente se encontrou.
Qual não foi minha emoção quando ela pediu para assentarmos em posição de meditação, mãos em "formato de olhos de corujinha", e apenas deixar ouvir o coração bater.
Ah, minha querida ex-executiva... Logo você, que por tanto tempo ouviu o coração bater pesado, cansado... Que lindeza de transformação compartilhei neste dia com você. Deitada na esteira, ao lado da minha filha, viramos sol, vento, nuvem, barco à vela. Chorei de emoção pela linda travessia que começou bem diante de mim, entre xícaras de cappuccino, caixas de lenço e almofadas macias.
Que Deus abençoe a sua caminhada, querida professora de ioga. E que nessa beirinha de Ano Novo a sua história possa inspirar muita gente a acreditar na força que um sonho tem quando precisa acontecer.
Na verdade, não tem muito mistério, aprendi com você. A gente só precisa respirar, aquietar a mente e ouvir de que jeito o coração anda batendo.

sábado, 9 de novembro de 2013

Síndrome de Peter Pan


Minha filha se apaixonou por um unicórnio.
Foi lá na Universal Studios, depois de viver minutos de "Minion" no empolgante simulador do "Meu Malvado Favorito". Na saída da atração, mais atração: uma lojinha tentadora com suas blusas amarelo-vivo, chaveirinhos personalizados, unicórnios de pelúcia esparramados pela prateleira.
Não deu outra:
- Ahhhh, mamãe, que liinndo!...
- Lindo mesmo, Bebella, mas depois a gente olha com calma. Vamos lá no Shrek, antes que o parque feche. (!)
E depois de muita aventura, loopings e hip hurras, o parque fechou. A lojinha dos Minions fechou. O unicórnio por lá ficou, esparramado na prateleira.
O coração da pequena partiu, nem preciso dizer.
- Amanhã a gente vai atrás do seu unicórnio, filha.
E a gente foi. Mas o danado do bichinho parecia estar em extinção. Loja nenhuma, outlet nenhum, shopping nenhum. Só dentro da Universal, justamente o parque que a gente não voltaria mais.
Sugeri trocar o unicórnio por elefante, burrico, ovelha, ursinho. Nada. Irredutível a mocinha, personalidade forte, típica do signo de escorpião. Apaixonou mesmo.
Voltamos ao Brasil no dia seguinte, deixando uma incumbência para os amigos (santos amigos) com quem dividimos a casa: trazer o unicórnio, já que eles ainda iriam dar uma espichadinha no mundo da aventura.
Dito e feito, missão cumprida, quase morri de vergonha quando vi o tamanho da encomenda que eles trouxeram na mala. Chegou em boa hora, melhor não podia: na véspera do aniversário dela.
Qual não foi sua emoção quando acordou cedinho no dia seguinte com o unicórnio ao seu lado, esparramado na cama. Achei que ela fosse ter um troço, mistura de alegria com falta de ar.
E o dia passou colorido com aniversário na escola, festa da camisola à noite, ensaio de balé na manhã seguinte. Muita emoção para uma menina só.
Quando ela se viu sozinha com o unicórnio ao fim do dia, deitou agarrada com ele no sofá e lá ficou, encolhidinha, pensando na vida.
- O que houve, Bebella? Está tudo bem?
E foi aí que a pequena colocou para fora toda a emoção das últimas horas, chorando de soluçar:
- O Peter Pan é muito sortudo!...
- Peter Pan?! Por quê?!
- Por que ele nunca vai crescer... Eu não quero crescer, quero ser sempre criança pra ficar com o meu unicórnio!...
- Mas você pode crescer e continuar com o seu unicórnio, ué.
- Não, senão as pessoas vão me zoar!...
- Sabe, minha filha? Quem zoar é porque não teve infância. Mesmo que a gente cresça, leva pra sempre a criança que foi um dia. Eu, quando presenteio você com o unicórnio, ou preparo uma festa da camisola, ou levo você pra Disney, alegro também a criança que fui um dia.
A essa hora, a pequena era uma mistura de cansaço, emoção, afeto e filosofia. Como doía a ideia de perder seu mimo de pelúcia um dia. Como chorava a minha menina, já toda cheia de pêlo branco grudado no rosto molhado.
- Agora vai brincar, minha filha. Gruda no unicórnio e aproveita cada minuto da sua alegria. Ainda falta muito pra você crescer.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Apaixonadamente


Mania essa de viver apaixonadamente.
De transformar cada gota de suor, sonho,
travessia em grito de gol.
Alçar vôo, romper o chão.
Roubar a lua para pôr nos olhos.
Audaciosa e escancaradamente.
Deixar à mostra essa alegria que te move,
te acorda, te faz.
Fazer o para-casa, sair de casa,
mostrar ao mundo a sua cara.
Hospedar o Paul, lotar o estádio,
fazer o melhor café do mundo.
Pura energia, sintonia,
música que não desafina.
Voltar a enxergar.
Voltar a andar, mesmo que numa cadeira de rodas.
Colocar emoção num prato de arroz com feijão.
Pimenta a gosto.
Qualquer que seja o motivo é motivo.
Se alguém inventou a monotonia, que desinvente.
Que tente.
Você não tem tempo a perder.
Você não precisa ter medo de ser. Seja.
Viver apaixonadamente, lembra?
Taquicardia, perna bamba, tormento de encantamento.
Te dou dois segundos pra roubar a lua.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Românticos Anônimos"

"Românticos Anônimos" é um filme simplesmente delicioso. Fui outro dia sozinha e ontem rolou um irresistível "Vale a pena ver de novo" com o Dé, que confirmou a cada risada o sabor de um enredo cheio de graça e leveza. Sem falar do tanto de França que adentra pela alma da gente, seja pelas ruas, pelo outono, pelo sotaque e pelo chocolate (sim, ainda por cima tem uma fábrica de chocolate pra gente sair do cinema salivando - mesmo não sendo suíço).
Em plena era de "pegação", socialização, explicitação de tudo e de todos, o grupo dos "Românticos Anônimos" soa no mínimo inusitado. Mas tirando tudo o que é surreal, tragicômico, sobra o que há de real, bastante real: gente tímida, emotiva, fechada. Mulheres que não sabem dizer não, homens que suam para dizer sim, gente que se embaraça nos encontros amorosos, sem saber o que dizer, sem ideia do que fazer. Medo de ser avaliado pelo outro, medo de o outro não gostar do que vê, perfeccionismo que acaba saindo pela culatra e virando piada. (Se o assunto acabar, talvez o banheiro seja a melhor saída.)
A afetividade existe, está aí pulsando dentro de você, mas o que fazer com ela?
Qual a dosagem? Qual a medida? Qual o para-casa que o psicólogo mandou você fazer?
"Românticos Anônimos" é um filme para rir, gargalhar e acima de tudo pensar: o que é que você está fazendo da sua vida? Como está vivendo (ou deixando de viver) o amor? Onde é que foi parar a chave da sua prisão? Você está fugindo de quê? De quem? Que segredos esconde tão bem guardados?
Coragem, meu(minha) caro(a). Que o mundo não anda muito romântico não há dúvida. Mas isso não tira a força que tem um sentimento, uma emoção ou afeto. Capacidade de amar, cada um nasce com a sua. A questão é se você se coloca como autor(a) ou anônimo(a) da sua própria história.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Livro de vida inteira

Tenho me encontrado com Martha Medeiros todos os dias. Cada página de "Feliz por nada" é um pouquinho dela que fica em mim, fazendo-me acreditar que essa tal de sintonia realmente existe.
Além do jeito lindo de escrever, Martha Medeiros encanta com o conteúdo de cada crônica.
Fiquei presa "Dentro de um abraço", ouvindo "Sons que confortam", pensando na "Melhor coisa que não me aconteceu", me deliciando com "Beijo em pé".
Algumas crônicas já estou recomendando de "para-casa" para alguns clientes no consultório. Destaque para "Amigo de si mesmo", em que a vida ganha um outro contorno a partir do momento que você "se amiga" com você mesmo. Injeção de auto-estima na veia.
Para aumentar a sintonia, descobri no livro que a Martha foi, assim como eu, publicitária. E, se ainda não virou psicóloga, tem com certeza um pezinho nesse chão fértil das relações humanas. Suas percepções, sua autenticidade são um verdadeiro presente pra gente. Seu livro, mais que um ótimo passatempo nos dias de chuva (e também sol, praia, lua) é um convite ao pensar. Não só o pensar das sinapses nervosas, mas especialmente das artérias que percorrem o coração.
"Feliz por nada" é desses livros que a gente "entra" de um jeito e "sai" de outro, maior e melhor eu diria.
Cada crônica que eu leio é uma conversa boa que tenho com Martha Medeiros. Silenciosa e entusiasmadamente concordo com ela em gênero, número, grau, emoção e pensamento.
Vou além da sintonia e me atrevo a dizer, mesmo sem nenhuma comprovação científica ou teste de DNA, que a minha alma é prima da dela. E esse "parentesco" me enche de inspiração; não só para escrever, mas viver. "Feliz por nada" e também por tudo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

"Noite de Ano Novo"

Tá bom, tá bom. Sei que desembestei a falar de cinema, mas não resisto à tentação. É que a questão náo é bem o cinema. É o tanto de vida que se desenrola ali na telona, acústica perfeita de "eu te amos", "te perdôo", "olás", "adeus", "Feliz Ano Novo".
Então é noite de Ano Novo em Nova York. Precisa falar mais alguma coisa? Ou você quer que eu chame o Frank Sinatra pra gente dar uma palinha? "It´s up to you, New York, New Yooooooork!..."
Sim, o filme é cheio de música, emoção, atores de peso (destaque para Robert De Niro e Michelle Pfeiffer, que quase não reconheci), paisagens de cartão postal, fogos de artifício e pequenas pitadas de clichê. Mas o que seria o Ano Novo senão um belo, grande e esperado clichê? Constatação entusiasmada (ou não, na versão dos mal-humorados de plantão) de que a vida continua, vira a página, começa um novo capítulo. E que pode começar de um jeito diferente, sem promessas em vão, ditas para o vento, mas com uma nova paisagem dentro de você. Paisagem feita de paz, alegria, amor, esperança, sucesso, realização. Mudanças silenciosas, majestosas, que para você farão todo o sentido.
Você pode ganhar na Megasena. Arrumar um namorado. Mudar de emprego. Dar a volta ao mundo. Ir pra Bali, Cabo Frio ou Milão. Mudar, casar e não me convidar.
Mas a realização que falei lá em cima não tem necessariamente que estar em projetos grandiosos, extraodinários ou radicais. Pode ser algo pequeno, sutil, mas suficiententemente grande para transformar a sua paisagem interior. Sol no lugar de neve, flores para um jardim árido, chuva para irrigar os seus desertos.
Feliz Ano Novo. (Um pouco antes da hora, eu sei, mas já inteiramente no clima depois desse filme delicioso.)